segunda-feira, 26 de março de 2012

que seja mármore...

E ela me diz coisas miúdas
No frio quente da metáfora morta
Entre pedras nos movemos
Entre pedras nos unimos 
E entre pedras nos deitamos
Um dia esperando uma sombra húmida
Juntos, talvez, debaixo de uma sombra húmida
Mas que ela se livre de mim em segredo
Sem a vergonha de deitar lixo no chão

domingo, 4 de março de 2012

Com a minha mão, eu sei que ela me teme quando a espremo
Ai, ai, AI.
Tive coragem, numa casa abandonada
Salve-se quem teve sexo ali, eu não

Nem tentei, no sítio onde urinava
Bem bom para matar cães
Pensei nela três vezes
A tríade não quer nada comigo
A tríade Macdonald

Porque eu nasci para ser um tipo às direitas
Ela não quer nada comigo
Fascínio como perfume
Nem me excito, nem excito
Nem nada.
Nada.

quinta-feira, 16 de junho de 2011

You are playing around with your marble
And I see you from my window
The old man is dead in that hole

No more Mr. Brown no more, No more Mr. Anymore

Are birds singing that song?
Are the birds singing upside down?
Where are you Mr. Anymore?

No more Mr. Brown no more, In the place where stood the unsure

The people should care about their boots
Wet feet can turn in to a cold
Those quick moves don't make me bold

So good luck Mr. Brown no more, In the place where ...peed a whore.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Ser técnico...


Na ânsia do moderno comi um gato, abri a goela, engoli o gato. Pouco ético para um ser técnico, um gato engolido num processo asséptico. Sentei-me num banco e esperei que mexesse. Não mexeu. O gato o banco o invólucro que sou eu. Esqueci-me do gato, lembrei-me da mulher. Comeria ela um gato de forma tão impoluta? Fria como uma beata quente como uma puta? E se esse gato fosse eu? Fria como uma beata quente como uma puta, aconchegado por curvas sobrepostas em volume, quieto. Então eu sou a mulher que vê o gato sentado, que ao vomitar o homem morreu engasgado.

segunda-feira, 7 de março de 2011

Toco nos teus pés, estão frios
A perdição não acalma de manhã
Sorvo-te dos lábios os rios
Noto o nulo travo a hortelã

E o branco que envergas
Trás a mim tantas reservas
E o pranto que anuncias
Há-de afluir em acalmias

Toco nos teus pés, estão quentes
Coloco-te um sorriso e uma cor sã
Lá fora nada está diferente
Cá dentro expia a esperança anciã

Toco nos teus pés, estão quentes
Coloco-te um sorriso e uma cor sã
Lá fora nada está diferente
Cá dentro morta tu no meu divã

domingo, 6 de março de 2011

Fado...


E mais do que isto eu não serei

Contigo não contarei

Sou velório em progresso


Pois foi, vão vai ele sem tua mão

Implodindo o coração

Com a pele tão distante


E mais do que isto eu não darei

Contando as lágrimas que te emprestei

No hiato do regresso


Pois foi, ide vós em seu socorro

Pose altiva e sem decoro

Sepultado e triunfante


Pois foi, ide vós em seu socorro

Pose altiva e sem decoro

Vã inércia apaixonante

quarta-feira, 2 de março de 2011


Informo que se encontra disponível no site do Sítio do Livro, numa qualquer livraria obscura em Lisboa e nas livrarias Guardaconta, Véritas e Digipaper, estas últimas na Guarda, o livro da minha autoria, O Torso.