sábado, 11 de julho de 2009
multiverso de vício...
Areia que desliza na sedução transparente do vidro. Vê-se a projecção do futuro no ponto fino da ampulheta. A escorregar pela gargalhada, engasgada pelo vortex de caras distorcidas e desesperadas que clamavam por mim. Trocava de posição. Sentia areia no cristal. A Alma Mater entrara-me e deixara-me o exoesqueleto ao sol.
segunda-feira, 15 de junho de 2009
lascívia...

Pega em mim e arrasta-me até ao banho. A candura nada tem a ver com a practicalidade. É-me prático receber em silêncio a forma despachada como sou tratado.
A banheira demora a encher, enquanto eu fico deitado no chão. Ela movimenta-se com um à vontade tão dela, pelo espaço exíguo que é aquela casa de banho. As pontas em renda da saia de uma negritude austera fazem-me cócegas na face. Evita-me como obstáculo que sou. Levanta uma perna sobre a minha cabeça. Respiro de olhos abertos naquela chaminé. A carne das coxas insuflada antes de mergulhar nas cuecas suadas e translúcidas. O telefone toca e com um golpe de ancas, a saia rodopia sobre si e remete-me, com uma ligeira brisa passageira, para a mácula do tecto branco.
terça-feira, 2 de junho de 2009
em volta da pirâmide...

Quero dormir e não consigo.
Quero tirar as curvas sinuosas que me enevoam o sono, como fuligem em brasa.
Quero girar sobre o meu falocentro até este explodir. Morrer. Definhar. Deixar-me em paz por entre esguichos de todas as cores.
Ele olha para mim meio de lado, ao desafio. Cresce como uma erva daninha em terreno baldio. Altivo e presunçoso, tem agora mais de um metro. Esguio como uma cobra faminta traça um arco no espaço de ranço e olha para mim de frente. Apresenta-se-me com ar ameaçador e eu arreganho-me sem dar por ela. Entreabro os lábios o suficiente para ele escorregar com graciosidade até beijar o naco de cal, ligeiramente raiado de sangue que apodrece na minha boca. E suavemente toca na minha úvula húmida fazendo-a tilintar incomodada.
A graciosidade de súbito se transforma em rispidez e ele, farto de conter a respiração, investe pela garganta adentro como um touro no meio de uma multidão, com raiva a lamber-lhe os olhos de fogo.
Acordei entre espasmos neuróticos, a cuspir bílis como um vulcão cansado. Estava escuro como breu e os gatos, no recato das trevas ,berravam e temperavam as carnes vivas na molheira que servia de passagem ao paraíso.
Tinha bílis a manchar-me os lençois, fome e ele de pé continuava a olhar pra mim.
domingo, 12 de abril de 2009
utopia...

deposita-me mácula no desejo, nos lábios de carne. sendo tu o meu vazio, MÁCULA, apodrece ao meu lado, permite que a minha alma se alimente dos restos do meu corpo, deixarás os percevejos sossegados em partículas de legado, com lentidão recortam o sorriso do meu rosto, deixa-os, enquanto tens os teus lábios colados aos meus, não quero saber, vem supervisionar esta fabrica comigo, vem-te rir do maquinal, deixa-o rir e alimentar-se da pele putrefacta e seca que pende do teu estômago. purga, exala. esvazio-me por dentro,torno-me cúbico
quarta-feira, 18 de março de 2009
percussão...
A tentação de desaguar nos teus lábios com brilho fulvo. Sentir a saliva amaciar o púlpito para onde me guias, ribombante.
Uma convulsão morna e profunda que ressoa no céu da minha boca com travo a mel.
Sou todo eu.
És toda tu.
E no encontro das línguas as nossas individualidades dançam.
Sibilam por entre o emudecimento da paixão.
Uma convulsão morna e profunda que ressoa no céu da minha boca com travo a mel.
Sou todo eu.
És toda tu.
E no encontro das línguas as nossas individualidades dançam.
Sibilam por entre o emudecimento da paixão.
quarta-feira, 11 de março de 2009
Vivendo a intensidade do menosprezo no canto do quarto, soltando-se de si convexa, com a face macia pousada no ombro quebrado, um coração que explode por dentro do peito ao ritmo das lembranças de vidro crepitante. A palma de cal, os olhos de lama fixos na nuca, as unhas; algumas dobradas para cima, outras cravadas no soalho negro. O sorriso pintado nos lábios, róseo-cristalino, puro e eterno.
Eles que não paravam de bailar à frente dela, eles que não paravam de copular à frente dela,ganindo por felicidade, expergindo fluidos de paixão que se lhe colavam às pálpebras. Nem pestanejava. E o sorriso mantivera-se sempre. Mas a carne não parava de se afundar e reaparecer untada em glória, quando logo o cheiro desaguou pelos poros da lascívia. O orgasmo trepou louco pelas paredes daquele quarto, como um animal acabado de sair de um opressivo e violento cativeiro; uivava, fincava as garras em tudo o que era palpável, libertava um muco peganhento, caminhava cego pela liberdade. O quarto ressoou, as paredes abriram fendas profundas e húmidas. Eles por fim pararam.
Vivendo a intensidade do menosprezo no canto do quarto, lavada em lágrimas, e armada com o seu sorriso róseo-cristalino, puro e eterno...
Eles que não paravam de bailar à frente dela, eles que não paravam de copular à frente dela,ganindo por felicidade, expergindo fluidos de paixão que se lhe colavam às pálpebras. Nem pestanejava. E o sorriso mantivera-se sempre. Mas a carne não parava de se afundar e reaparecer untada em glória, quando logo o cheiro desaguou pelos poros da lascívia. O orgasmo trepou louco pelas paredes daquele quarto, como um animal acabado de sair de um opressivo e violento cativeiro; uivava, fincava as garras em tudo o que era palpável, libertava um muco peganhento, caminhava cego pela liberdade. O quarto ressoou, as paredes abriram fendas profundas e húmidas. Eles por fim pararam.
Vivendo a intensidade do menosprezo no canto do quarto, lavada em lágrimas, e armada com o seu sorriso róseo-cristalino, puro e eterno...
sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009
ensaio sobre o incesto...

Certa noite,no meio do reboliço carnal dos meus pensamentos que,como em todas as noites turvavam o meu sono com grãos de sal luzidio sobre pele em tempestade,ou mo privavam por completo,no desafogo me enroscava naqueles lençóis encardidos como em lume de mulher,envolto em chiadeira,à beira,mesmo quase e pela primeira vez,de afugentar por uma noite só o tormento,o vácuo da libido.Eis que minha mãe,abrindo a porta indignada com as molas do meu colchão,rasgando o silêncio com guinchos de loucura,despe o seu vestido de noite azul...aquele aroma temperado a meia-higiene apoderou-se do meu quarto e de mim.O vestido de noite com toque de seda,atirado para cima das minhas vergonhas.
-Vê se te acalmas.
Este guincho em particular soube-me a mel.
Deitou-se a meu lado.A sua carne tocou a minha.Os seus pêlos acariciavam os meus membros incompletos.E na escuridão...senti com alegria,florescer no seu vestido de noite azul uma pequena mancha mais escura.
A minha primeira vez.
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