quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

menless...


E ele que se mais não é
Que a promiscuidade inerente
A vertigem opiacea tão premente
Que o arrasta na maré

E ele que não nota

Que quando o faz se compadece
Que aquando a alma se enriquece
E tudo encaixa e o seu juízo...
E a libido e a condição imutável
O animal confinado e abominável
Ai sem mim o paraíso.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

água suja...que foste fazer?


Um pé depois de um outro,uma mão alinhada e uma cabeça.Tudo no sítio na minha,e as lágrimas de prata afundam-se na corrente escarlate,outrora paixão.As mãos manchadas,a água de um cetim vermelho sinuoso flui para a escuridão e a expiação que não chega.De frente ao espelho com a cara voltada.O peito marcado pela palma manchada.Nada voltará atrás.Sou unicamente responsável por mandar o fardo ao rio,em sacos pretos atados num suspiro.Muito tremulo o meu peito.Inquieto.Algo se constrói aquando o frio do metal percebe a paixão da tua carne.Quando,olhos nos olhos o terror me beija e eu sorrio controlando a tempestade interior.Abraço o tom purpura num beijo pingado,perspectiva singular,e aquando me inclino para te sussurrar,o teu belo perfil,o saco,o preto imiscuí-se e entra-me pelos poros,corrompendo a minha alma resoluta.O caminho,o meu peito e o rio que te afasta de mim...

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

negada a permissão para entrar...


Desculpa,é demasiado para mim,se ao menos me explicasses este frenesim mudo,e tu que não sais desse canto,sombrio,que me repudia cada vez que me aproximo,que te tento tocar.Já não te distingo da escuridão,e tu?distingues-te?abraça-la com essa paixão doentia e eu abraço-a também encostada ao outro canto,sem alternativa,derrotada,e com uma terrível perspectiva,qual é a tua?que vês quando olhas para mim?vês a serpente sibilante,negra,que me agitas em jeito de convite?e nem tentas sacudi-la,porquê?já não tenho mais lágrimas que possam encher a tua alma com frescura,secaste a minha fonte.agora não quero viver,não contigo,não sem ti.ouço a inércia crepitar e os gritos orgânicos em surdina.Pergunto-me,o que és?pele a ondular ao sabor da insegurança,o que cresce dentro de ti?és tu que ainda aí moras?o que te passa pela cabeça aquando prostro a minha vulnerabilidade diante de ti?de braços abertos para o céu.nada?e assim o teu vazio transforma-se no meu,para sempre...

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Loaded gun...


Sempre?
Quase...
E o que acontece quando está descarregada?
Respiro fundo e a complexidade retorna aos eixos.A volúpia afunda-se na vertigem intermitente da normalidade sempre finda.
Sempre... Não é sufocante?Digo...constantemente a arfar por um alvo em movimento?Com os beiços irrigados e titubeantes da besta a babarem lânguidas gotas de um muco que ensinará caminho para outros como tu?Oh Deus,uma visão dantesca tenho de ti,como aquando do primeiro vislumbre que o lobo permitiu ao Capuchinho,estou certa.
Há mais em mim que animal,há o coração negro de um homem.

terça-feira, 14 de outubro de 2008

minha capa de artifício...


entenda-se que estou surdo perante a composição acromática de tecido encefálico projectado em eco
já reparei que nunca em mim palavras quebram a monotonia egocêntrica pela qual sempre estou absorvido
é deprimente e deprimente é também aquando hábito cria uma indistinção e a memória se limita a apagar experiência atrás de experiência,implodindo sobre si mesma infinitamente
a massa estética que de muitas formas desprezo,acaba por se iluminar perante uma substancia inerte,obsessivamente escamoteada

imolada pela felicidade

terça-feira, 30 de setembro de 2008


livra-se da gruta,sai uma semente
tudo é felicidade,nada é deprimente
tudo é regaço,regaço tão quente
de braços abertos para toda a gente
de braços abertos,sempre inconsciente
sem contar os passos,caminhas em frente
de sorriso aberto e a face tão quente
deserto imponderável,um trapo de gente
de sorriso aberto caminhas em frente

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Nota para ensandecidos...


"A fechadura aceita suspender a nefasta incompletude e a chave escorrega com viscosidade,dando duas voltas acompanhadas por uma triste e seca sinfonia de estalidos,renascendo de novo para a luz,engolida de novo pelas trevas num processo antagonicamente semelhante mas incompleto.Com um movimento brusco parto a chave e com outro,maquinal irreflectido e estúpido,atiro-a pela janela de guilhotina que se abria num gesto de perversa cortesia.
Pronto."-Disse ele enquanto o sofá rústico acomodava o seu rabo e os seus olhos fixavam,psicadélicos,a grainha imagética que se compunha com folículos desorientados de um pó quezilento e alérgico.
"Pronto.
A criança simiesca houvera trepado pela janela e prostrara-se,encardida e tinhosa e luminosa como um santo cristão aquando representado numa qualquer fita de cinema,à minha frente,muda.Por mim que ficasse."-E ficou.Mas não tardou a tentar narciso.A desafiar-lo,qual pássaro ainda humedecido pelo ocre da criação,a abandonar o seu ninho.
"13 dias,23 horas e poucos minutos.Foi o tempo que demorei a ser convencido.Tempo que me parecia cada vez mais viscoso e que se rarefez numa explosão perceptiva que me emocionou.-Para a janela,para a janela.-Dizia-me o seu ar ingénuo e urgente,de uma ingenuidade tão melancólica que seus olhos lembravam fontes pungentes de luminosidade húmida."
-A pobre criatura lá pôs a cabeça entre a janela,oportunamente em guilhotina,devo dizer,e a decrépita representante de uma infância defunta lá deu,metaforicamente e dolorosamente com a janela no pescoço do triste até quebrar.E pronto,digo eu agora,lá se iluminou mais um ensandecido,então pois,para todos os outros,que lhes sirva de exemplo.