sexta-feira, 11 de julho de 2008

relativizando contextualmente a importância dos entes superiores...


para a minha ténia de estimação
eu sou uma divindade
alimento o seu coração
de merda e trivialidade

embriagada com a percepção
de livre-arbitrariedade
não farei qualquer concessão
em lhe cagar a verdade

terça-feira, 10 de junho de 2008

contagem permanente...


tantas pessoas no mundo
uma acabou por morrer
e outra e outra e outra e outra
e eu continuo feliz
não me podes culpar por eu continuar a sorrir

não te posso culpar por continuares a matar
tantas pessoas no mundo
o dominó aproxima-se
se queres saber não quero saber

tantas pessoas no mundo
e que diferença faz?
e outra e outra e outra
todas sublinhando o seu sentido

quero sublinhar o meu sentido
qual sentido?
que diferença faz?

quinta-feira, 5 de junho de 2008

penthouse corpse...


O complexo aroma contrastava com a sofisticação simplista do imobiliário e arquitetura do local.Os metais e os granitos caros com o calor interior comum a qualquer ser humano,tornando o bafo visível e denso,mesmo no pico do verão.
No sofá de couro vermelho lá estava prostrado um corpo.Cabelo loiro,olhos fechados,sereno.A casa,essa por sinal mostrava tudo menos indícios de serenidade,nos últimos dias que correram.Confetis,garrafas de champanhe e roupa interior tal como cinzeiros a transbordar e notas enroladas por todo o lado.
A casa como prolongamento do ser,estava fria,mas sobreviveria.

terça-feira, 27 de maio de 2008

mestiçagem de essências...

Faz uma incisão.Procura uma conexão.Alimenta-te do meu coração.Alimenta também a sensação...Ordena os sentidos...Sorve os sonhos perdidos.Vasculha-me bem.Perfura-me o cérebro também.Sente o sangue quente a escorrer.Revira os olhos de prazer.Corta a jugular.Vê os fluidos a misturar.Começa a contar...a complexidade a prosperar...Sustém a respiração.Anda comigo de mão dada nesta solidão.

domingo, 27 de abril de 2008

constante abstração...

Vejo em ti que não te conheço
Uma ondulante sensação de desconexão
Vejo em ti que não te conheço
Clara mentira

Desprezo-te?
Clara mentira
A verdade é tão somente um mar de abstrações que perpetua após a constatação da mentira

terça-feira, 8 de abril de 2008

o último prego...


Sinto cavalos a galopar,golfadas profundas de sangue a ferver e sinto-me a tremer num mantra doentio.Um assobio percorre o meu cérebro de fio a pavio.Os meus olhos só a ti enxergam,visão de túnel,afunilada na tua pessoa quase desgraçada.Cerro os dentes,fecho as portas da responsabilidade,a mente fechada e encharcada no instinto animal.

Ponho a mão no teu peito...depois no meu,ambos mais calmos.

Vemo-nos no teu funeral.

terça-feira, 1 de abril de 2008

Dependência...


O amor mais não é do que uma alegre caminhada na corda-bamba lambida pelas chamas rubras do inferno.A dois...claro.
Tu e eu...Não sabes quantas vezes te desejo empurrar enquanto sorrio para ti.Porém não suportaria ver a tua alma sublimar.Ficaria perdido na corda-bamba.De olhos esquecidos nas chamas que bailavam por debaixo de mim...que me seduziam por ver nelas os contornos do teu corpo.

A tua dependência acabaria por me arrastar.